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Saúde

O cérebro também ama

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O amor é um dos sentimentos mais poderosos que experimentamos. É ele que inspira as mais variadas pessoas no ramo das artes. Contudo, foi com os avanços na neurociência que começaram a ser desvendados os mistérios por trás desta emoção – que vai muito além do coração! Mas, afinal, o cérebro também ama? É disto que hoje, no Dia Mundial do Cérebro, vamos falar!

O Dia Mundial do Cérebro é uma iniciativa global promovida pela Federação Mundial de Neurologia que decidiu marcar esta data para aumentar a conscientização sobre as doenças neurológicas, promover a importância da investigação na área do cérebro, destacar os avanços científicos da neurologia e promover a conscientização da saúde do cérebro.

Pela DoBem, não queríamos deixar esta data passar em branco e sentimos em te falar sobre um fenómeno que é – tantas vezes – apenas associado ao coração: o amor.

O amor é um dos sentimentos mais poderosos e complexos que podemos experimentar. Ele é capaz de nos levar a experiências profundas e transcendentes, criando uma complexidade de emoções – mas, também, de processos neuroquímicos que ocorrem no nosso cérebro.

A ciência por trás do amor sugere que uma série de reações químicas e atividades neurais desempenham um papel fundamental para sentirmos atração por outra pessoa. Uma das principais áreas do cérebro associadas a essa experiência é o sistema de recompensa, que é ativado quando nos envolvemos em comportamentos prazerosos, como comer alimentos saborosos ou receber elogios.

O cérebro também ama

O cérebro é a sede da experiência humana e, portanto, é o órgão central para processar o amor. E isto tem sido estudado e provado com ressonâncias magnéticas funcionais (fMRI) e tomografias por emissão de pósitrons (PET), que têm permitido observar como as diferentes partes do cérebro estão envolvidas nesse sentimento único.

Uma das áreas mais estudadas em relação ao amor é o córtex pré-frontal – uma região associada ao julgamento social, à tomada de decisão e à recompensa. Quando estamos apaixonados, é essa região que nos ajuda a avaliar e a tomar decisões relacionadas com este sentimento e com a(s) outra(s) pessoa(s) envolvida(s).

Outra área relevante é o núcleo accumbens – a dopamina, neurotransmissor que desempenha um papel essencial nas sensações de prazer e recompensa, é liberada nesta área quando estamos apaixonados, causando a sensação de euforia e felicidade associada ao amor.

O amor também está fortemente relacionado a certos neurotransmissores e hormonas que influenciam as nossas emoções e comportamentos. Além da dopamina, outros neurotransmissores importantes são a serotonina e a oxitocina:

  • A serotonina está relacionada ao humor e bem-estar geral, aos sentimentos de contentamento e felicidade que podem ser experimentados durante o período de paixão.
  • A oxitocina, conhecida como a “hormona do amor”, é liberada em grandes quantidades durante gestos físicos mais íntimos, como abraçar, beijar e ter relações sexuais. Essa substância está ligada ao estabelecimento de laços emocionais e à criação de vínculos afetivos.

O cérebro é o maestro que faz com que o amor seja um fenómeno emocional, mas que também tenha efeitos físicos notáveis. Quando estamos apaixonados, o nosso corpo pode experimentar uma série de reações biológicas, como aumento dos batimentos cardíacos, rubor facial, dilatação das pupilas e suor nas mãos. Essas reações são desencadeadas por um aumento nos níveis de adrenalina.

Além disso, como sabemos, o amor tem um impacto significativo em nossa saúde mental. Quando estamos num relacionamento saudável, a nossa saúde emocional pode melhorar significativamente, reduzindo os níveis de stresse e ansiedade.

O lado mais escuro do amor: a dependência

Embora o amor seja uma emoção maravilhosa, pode também ter um lado obscuro: a dependência química do cérebro em relação ao amor pode levar a situações em que experimentamos sentimentos de obsessão e angústia quando separados. Em termos neuroquímicos, essa dependência pode ser comparada a outros tipos de dependências, como o álcool.

Estudos neurocientíficos revelam que quando alguém está profundamente apaixonado, áreas do cérebro associadas ao julgamento crítico podem ser suprimidas.

“O amor romântico também está associado à desativação de áreas do cérebro envolvidas no julgamento crítico e ideias negativas – o que explica aquelas declarações de amor em público e expressões amorosas, mesmo realizadas por pessoas tímidas.”

Dr. Pedro Schestatsky

Isso pode explicar por que é que muitas pessoas apaixonadas tendem a ignorar defeitos óbvios ou a racionalizar comportamentos inadequados dos seus parceiros. Nesse estado, o cérebro prioriza o bem-estar emocional e a manutenção do vínculo amoroso acima de qualquer outra consideração.

A longevidade deste sentimento e os vínculos duradouros

A paixão intensa do início de um relacionamento tende a diminuir com o tempo, mas isso não significa que o amor se desvaneça. O que é curioso nisto, é que o cérebro passa a funcionar de forma diferente à medida que o relacionamento amadurece, com outras hormonas e neurotransmissores que desempenham papéis essenciais na construção de vínculos duradouros.

A vasopressina, por exemplo, está relacionada à monogamia e ao estabelecimento de laços de longo prazo. Ela promove a fidelidade e a ligação emocional entre parceiros. Além disso, a ocitocina continua a desempenhar um papel importante na manutenção dos laços afetivos, facilitando a comunicação e a empatia entre o casal.

O amor é um fenómeno incrivelmente complexo. Há séculos que este sentimento é representado pelo coração mas, na verdade, este envolve como que uma dança harmoniosa entre o cérebro, neurotransmissores e hormonas.

Hoje em dia – e cada vez mais – através das lentes da neurociência começam a ser desvendados os mecanismos subjacentes desse poderoso sentimento. No entanto, apesar de ocorrer no nosso cérebro – um fator comum a qualquer ser humano – o amor é multifacetado, sofrendo influências sociais, psicológicas e culturais – não podendo ser reduzido apenas a processos neuroquímicos.

O cérebro é, realmente, o maestro por trás desta maravilhosa orquestra de emoções e neuroquímica – que é uma das forças motrizes mais poderosas da humanidade, capaz de inspirar atos de grande bondade e compaixão. Compreender o papel que o cérebro desempenha neste sentimento permite-nos apreciar a beleza e a complexidade da experiência humana.

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