Treinos longos: o que comer, quando e porquê
Na Cozinha DoBem, recebemos a Cláudia Moita, fundadora do projeto Maria das Ervas, para uma conversa sobre alimentação, energia e recuperação no desporto.
Este episódio foi pensado para quem corre, treina, participa em provas longas ou simplesmente quer compreender como pode apoiar o corpo através de uma alimentação mais equilibrada e inteligente.
Falamos de energia, recuperação e resistência a partir de uma visão macrobiótica da alimentação. Mais do que estimular o corpo, a proposta passa por construir uma base sólida de vitalidade, clareza e capacidade de recuperação.
Através de duas receitas simples e profundamente nutritivas, Cláudia Moita mostra como a comida pode tornar-se uma verdadeira aliada nos momentos de maior exigência física: umas papas de arroz e aveia, ideais para preparar treinos longos, e uma sopa de cevada com feijão azuki, pensada para aquecer, nutrir e ajudar o corpo a recuperar depois do esforço.
Macrobiótica e desporto: uma visão de equilíbrio
Segundo a perspetiva partilhada pela Cláudia Moita, existem três pilares fundamentais para uma vida saudável: alimentação natural, exercício físico e atitude mental.
Quando praticamos atividade física, aumentamos a exigência sobre músculos, ossos, sistema nervoso e capacidade de recuperação. Por isso, a alimentação deve fornecer energia real — mas com qualidade.
A ideia não é comer para forçar ou excitar o corpo, mas sim para criar resistência, estabilidade e recuperação.
Embora cada pessoa tenha necessidades diferentes, existem alguns princípios importantes:
- Privilegiar alimentos energéticos de qualidade, como cereais integrais, hidratos complexos e proteínas equilibradas.
- Garantir um bom aporte mineral, especialmente em quem transpira muito.
- Evitar excessos que sobrecarreguem o organismo, sobretudo em relação ao consumo exagerado de proteína.
- Construir refeições completas, combinando cereais integrais, leguminosas, vegetais e proteínas bem cozinhadas.
O que comer antes e depois de treinos longos
Para quem pratica desporto de endurance, a recomendação passa por refeições quentes, nutritivas, anti-inflamatórias e o mais sazonais possível.
Entre os exemplos sugeridos por Cláudia Moita estão:
- estufado de feijão azuki com legumes e massa soba ou arroz semi-integral
- leguminosas com tofu frito ou seitan
- grão estufado com tofu fumado e arroz integral
- tempura de vegetais
- papas de aveia
- creme de arroz e aveia
A lógica é simples: combinar proteínas, vegetais e cereais integrais para criar refeições que sustentam, nutrem e ajudam o corpo a recuperar.
Depois do treino: recuperar, aquecer e relaxar
Um dos pontos mais interessantes desta abordagem é a importância dada aos pratos quentes no pós-treino.
Depois de uma prova ou treino intenso, o corpo tende a permanecer num estado de maior ativação e contração. Nessa altura, refeições quentes, reconfortantes e naturalmente doces podem transmitir ao organismo uma sensação de segurança e descanso.
Preparações como sopas completas ou papas bem cozinhadas ajudam a repor energia, acalmar o sistema nervoso e favorecer a recuperação, incluindo a qualidade do sono.
Mulheres atletas: devolver suavidade ao corpo
Treinos intensos como corrida, crossfit, HIIT ou trabalho de força geram naturalmente um estado de maior contração física e mental.
Na visão macrobiótica, muitas mulheres ativas beneficiam de alimentos ligeiramente mais suaves e relaxantes, que tragam fluidez e equilíbrio ao organismo.
Entre eles:
- fruta cozinhada
- vegetais naturalmente doces, como cenoura, cebola e abóbora
- sementes tostadas
- algas
- refeições quentes e reconfortantes
O objetivo não é retirar força ao corpo, mas sim equilibrar o excesso de contração e ajudar na recuperação física e emocional.
Uma mulher que treina intensamente não precisa apenas de mais desempenho. Precisa também de saber quando devolver suavidade ao corpo.
Alimentar o corpo com inteligência
Uma alimentação natural, anti-inflamatória e equilibrada pode oferecer uma base muito sólida para quem pratica desporto — e também para o dia-a-dia.
Ao privilegiar cereais integrais, leguminosas, vegetais, minerais e preparações quentes, esta abordagem pode favorecer:
- energia mais estável
- recuperação mais eficiente
- menor inflamação
- melhor digestão
- maior equilíbrio físico e emocional
No fundo, não se trata apenas de comer para ter combustível. Trata-se de alimentar o corpo com respeito pelo esforço que lhe pedimos e pela recuperação de que ele precisa.
Para este episódio, agradecemos os ingredientes oferecidos por:
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