Como escolher e comprar panelas que não prejudiquem a nossa saúde
Panelas, tachos e frigideiras: porque devemos escolher materiais mais seguros?
A maioria de nós usa, todos os dias, utensílios de cozinha que podem não ser os mais seguros para o organismo. A panela onde fazemos a sopa, a frigideira antiaderente, o tabuleiro que vai ao forno… muitos destes materiais podem conter substâncias químicas que merecem a nossa atenção.
Por isso, é importante falarmos sobre panelas e sobre a importância de escolher materiais mais seguros para preparar os nossos alimentos.
A ameaça é real. Dados apresentados no estudo National Health and Nutrition Examination Survey, realizado nos EUA, indicam que algumas substâncias químicas presentes em utensílios de cozinha foram detetadas em praticamente todas as pessoas analisadas. Nutricionistas, médicos e investigadores têm procurado perceber a influência destas substâncias no organismo, e os alertas têm-se sucedido.
Afinal, que substâncias químicas são estas?
Falamos das substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas, mais conhecidas como PFAS. São compostos sintéticos utilizados em muitos processos industriais, estando presentes em embalagens, roupa, mobiliário e também em utensílios de cozinha.
Estas substâncias não se degradam com facilidade. Em 2023, o estudo Forever Pollution mapeou a presença destes elementos tóxicos no território europeu, incluindo Portugal.
A ciência chama-lhes mesmo “químicos eternos”. Estão presentes em várias superfícies antiaderentes, como frigideiras, panelas, tachos, grelhadores, formas de bolo e tabuleiros.
Os riscos para a saúde
Problemas hormonais, cancro e infertilidade são algumas das preocupações associadas à exposição prolongada a PFAS.
A cientista Carmen Marsit, professora na Emory University, nos Estados Unidos, tem contribuído para a investigação sobre os efeitos destes químicos. Em entrevista à CNN, referiu existirem ligações bem estudadas entre este tipo de substâncias e alguns tipos de cancro, nomeadamente o cancro dos rins e o cancro dos testículos.
Segundo a especialista, as PFAS também estão associadas a doenças do sistema endócrino, como alterações do ciclo menstrual e doenças da tiroide.
Na DoBem, pedimos ao mentor TonTon para nos ajudar a perceber melhor esta questão.
“As substâncias que estão nestas panelas são muito prejudiciais. Podem contribuir para certos desequilíbrios como a baixa testosterona e progesterona, para quebras no metabolismo e até para acumulação de gordura.”
O TonTon explica ainda que um dos elementos mais comuns nas panelas que temos em casa é o teflon, o material que permite que uma frigideira seja antiaderente.
“Pode dar jeito no momento de estrelar um ovo e até na hora da limpeza, mas é muito prejudicial para a saúde.”
O que é o teflon?
A criação deste composto remonta a 1938, nos Estados Unidos, e aconteceu quase por acidente. O químico Roy Plunkett tentava criar um gás refrigerante quando descobriu um pó branco e escorregadio que viria a dar origem ao teflon.
O teflon passou a ser usado em centenas de aplicações: lentes de contacto, peças de carros e aviões, tapetes, mangueiras, lâmpadas, próteses dentárias, roupa impermeável e, claro, utensílios de cozinha.
Durante décadas, a ciência estudou os seus impactos e concluiu que a matéria usada para produzir teflon era prejudicial. Um tribunal norte-americano determinou a sua retirada de vários produtos.
O problema é que essa substância já estava espalhada pelo mundo, pelos solos e pelos organismos das pessoas.
Hoje, o composto do teflon mudou, mas a investigação científica continua a demonstrar que pode incluir outras PFAS, igualmente problemáticas. Face a esta informação, cabe-nos decidir que escolhas queremos fazer na nossa cozinha.
E as panelas que temos em casa?
O mais importante e urgente é eliminar as panelas e frigideiras que estão a descascar. Cada pedaço que falta no revestimento pode ter sido ingerido ou libertado durante a lavagem.
Sempre que possível, o ideal é substituir esses utensílios por opções mais seguras, duradouras e adequadas ao uso diário.
Como escolher panelas mais seguras para a saúde
O objetivo é escolher tachos, panelas e frigideiras seguros, resistentes e que reduzam o risco de contaminação dos alimentos.
Panelas de vidro ⭐⭐⭐⭐⭐
O vidro é uma opção inerte e segura, que não liberta metais nem reage com alimentos ácidos. Retém bem o calor, é fácil de limpar e é ideal para pessoas com sensibilidade a metais.
Apesar de ser mais frágil e exigir cuidado no manuseamento, é uma excelente escolha para cozinhados de longa duração que exigem aquecimento uniforme.
Panelas de aço cirúrgico ⭐⭐⭐⭐⭐
O aço inoxidável de alta qualidade, como o tipo 316, é uma das melhores opções para uso diário. Oferece boa resistência à corrosão e liberta menos níquel e crómio, mesmo quando entra em contacto com alimentos ácidos.
É durável, fácil de limpar e uma boa escolha para quem quer reduzir ao máximo a exposição a metais.
Cerâmica pura ⭐⭐⭐⭐⭐
As panelas de cerâmica pura são inertes e seguras para alimentos ácidos. Também são naturalmente antiaderentes e funcionam bem em temperaturas moderadas.
Embora sejam mais difíceis de encontrar, estão entre as opções mais seguras para cozinhar.
Aço inoxidável tipo 304 ⭐⭐⭐
É uma boa opção para o dia a dia, mas exige algum cuidado ao cozinhar alimentos ácidos, pois pode libertar níquel e crómio, especialmente em pessoas mais sensíveis.
Usa esponjas não abrasivas para preservar a superfície e evita cozinhar alimentos ácidos durante longos períodos.
Ferro fundido ⭐⭐⭐
Os tachos de ferro fundido são muito duráveis e mantêm o calor durante bastante tempo, sendo indicados para cozinhados em altas temperaturas.
No entanto, o ferro inorgânico libertado durante a cozedura pode competir com o ferro orgânico dos alimentos. O uso ocasional pode ser interessante, mas o uso excessivo deve ser evitado.
Dica: se dependes de alimentos ricos em ferro orgânico, alterna o uso de tachos de ferro com materiais como aço inoxidável, vidro ou cerâmica.
Titânio ⭐⭐⭐⭐
As panelas de titânio puro ou com revestimento em titânio são duráveis, leves e resistentes à corrosão.
São consideradas seguras e inertes, embora possam distribuir o calor de forma menos eficiente. Se tiverem uma camada interna de alumínio, confirma que o alumínio não entra em contacto direto com os alimentos.
Cerâmica tradicional ⭐⭐⭐
É uma boa opção antiaderente, mas a qualidade do revestimento pode variar muito.
Confirma sempre se está livre de metais pesados, como chumbo e cádmio, e se é adequada para temperaturas moderadas.
Barro e pedra ⭐⭐
As panelas de barro e pedra naturais podem conter metais pesados, sobretudo quando não são certificadas.
Escolhe sempre produtos certificados e com esmalte seguro, para evitar a libertação de substâncias como chumbo e cádmio.
Materiais a evitar
Alumínio ⭐
As panelas de alumínio podem libertar este metal nos alimentos, especialmente na preparação de pratos ácidos.
Embora seja menos problemático do que o teflon, é preferível evitar o seu uso diário para reduzir a exposição.
Teflon
As panelas de teflon são uma das opções mais problemáticas. Com o tempo, podem libertar partículas e compostos tóxicos, sobretudo quando estão riscadas ou a descascar.
Mesmo quando novas, devem ser usadas com muita cautela. A exposição prolongada pode comprometer a saúde a longo prazo.
Cuidados simples no dia a dia
Evita usar tachos e frigideiras com revestimentos a descascar. Sempre que usares utensílios antiaderentes, prefere acessórios de silicone ou madeira para preservar a superfície.
A saúde também começa nas pequenas escolhas do dia a dia. Substituir tachos de teflon e alumínio por opções mais seguras pode ser um passo simples, mas importante.
Caso para dizer: diz-me que panelas usas e eu dir-te-ei que riscos andas a correr.
*A avaliação de cada material é feita numa escala de zero a cinco estrelas, considerando segurança, durabilidade e risco de contaminação.
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