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Corpo

Hormese: como o desconforto e stress bom te podem ajudar

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Rodrigo Ayoub
Médico Ortomolecular
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Na procura por uma vida saudável e equilibrada, muitas vezes evitamos o desconforto e o stress. No entanto, a hormese ensina-nos que enfrentar certos desafios pode realmente beneficiar a nossa saúde e resiliência. A ideia por trás da hormese é simples: a exposição controlada a stresses leves ou moderados pode fortalecer o nosso corpo e mente, tornando-nos mais capazes de lidar com adversidades maiores.

E se eu te dissesse que o stress é benéfico?

E se dissesse que não é só benéfico, mas que é a coisa que mais te pode ajudar a ter saúde e uma vida longa?

É exatamente isso que leste! Não precisas de ir buscar os óculos.

Stress é adaptação, stress é transformação, stress é vida!

Mas, como sempre, temos que saber chamar as coisas pelo seu devido nome. Aqui falo de EUSTRESS — o stress bom. Existe um stress bom. Contudo, na maior parte das vezes, as pessoas referem-se ao stress falando de DISTRESS — o stress prejudicial, o stress maléfico.

As melhores formas de entender a diferença são:

  • A duração — o stress bom é agudo, adaptativo, criando-nos resiliência para outros stresses. É o que nos faz mais resistentes e melhores. O stress mau é crónico, degenera-nos, é catabólico e mata-nos aos poucos. Na verdade, na grande maioria das vezes, não mata, mas — como diz o ditado — vai desregulando o nosso corpo, destruindo as nossas proteínas, os nossos neurónios, as nossas células e vamos adoecendo aos poucos.
  • A perceção — no stress bom, agudo e adaptativo, temos a perceção do desenvolvimento, do crescimento, do resultado positivo e isso faz-nos bem. Gostamos e, apesar de um sofrimento de curta duração, temos a motivação de fazer cada vez mais. No stress crónico prejudicial, temos sensações e sentimentos negativos, estamos numa vibração muito baixa, a vibração da raiva, do medo, do ressentimento. No bom, a intensidade é alta, a energia é maravilhosa e criamos cada vez mais essa corrente “do bem”. No mau, a intensidade é baixa, suga-nos energia e consome-nos aos poucos.

Mas onde é que entra a hormese aqui?

O termo médico para esta energia boa de alta intensidade e curta duração chama-se HORMESE. E foi definida pelo filósofo Nietzsche através da famosa frase: “O que não nos mata, fortalece-nos”.

A hormese é um conceito que descreve a resposta adaptativa do organismo a um estímulo de baixo nível de stress, que resulta em melhorias na função fisiológica e resistência. Por outras palavras, quando somos expostos a pequenas doses de stress, os nossos sistemas biológicos fortalecem-se em resposta.

Exemplos de hormese

Exercício físico: uma corrida com alta velocidade e curta duração (os famosos sprints), um treino de força no ginásio com cargas elevadas e poucas repetições, nadar no mar ou na piscina retendo ao máximo a respiração, gerando pequenos momentos de hipoxia (restrição de oxigénio), entre outros. Durante o exercício, os nossos músculos experimentam microlesões que, quando reparadas, resultam em músculos mais fortes e resilientes.

Restrição calórica: estudos mostram que uma restrição calórica ligeira pode aumentar a longevidade e melhorar a saúde metabólica, ativando vias de reparação e autolimpeza celular. Praticar jejum, com aumento progressivo dos intervalos de restrição alimentar, é uma boa forma de o fazer.

Choques térmicos controlados: a exposição a temperaturas extremas, como banhos de gelo ou saunas, desencadeia respostas adaptativas no corpo, fortalecendo o sistema imunitário e promovendo a recuperação muscular.

A hormese “do bem” deve ser praticada com regularidade, prazer e disciplina.

São técnicas que necessitam de condicionamento, ou seja, começar aos poucos e ir evoluindo.

Já o stress “do mal” deve ser evitado ao máximo na nossa vida (relações tóxicas, stress emocional, fatores físicos como luzes brancas à noite, fatores químicos como o consumo de processados), mas é impossível excluí-lo totalmente. Viver é um processo contínuo de exposição a stresses.

O objetivo é evitar os desnecessários e blindar o nosso corpo com os stresses “do bem” — que é como quem diz: as hormeses.

Em suma, aprende a dar nome às coisas, entende que existem stresses e stresses, e firma um compromisso com a tua saúde sendo consistente na prática regular de hormeses.

Começa aos poucos e vai introduzindo todas na tua rotina, respeitando o teu condicionamento. Lembra-te sempre daquela famosa frase: “NO PAIN, NO GAIN”.

Pratica stresses “do bem” e serás muito mais saudável e feliz.

Na procura por uma vida saudável e equilibrada, muitas vezes evitamos o desconforto e o stress. No entanto, a hormese ensina-nos que enfrentar certos desafios pode realmente beneficiar a nossa...

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