As lesões mais comuns na corrida e exercícios para preveni-las
A corrida tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos nos últimos anos. Por ser um desporto de baixo custo e acessível a toda a população é normal que o seu desenvolvimento se tenha acelerado nas últimas décadas. Mas, como em todos os desportos, tem aspetos positivos e negativos. No polo mais desafiante está o fato da corrida ter potencial para o aparecimento de lesões específicas relacionadas com a sobrecarga do treino.
As lesões podem ser caracterizadas pela sua incidência e pela sua prevalência. Neste artigo vamos abordar as lesões consoante a sua incidência no atleta da corrida.
No top 5 da lesões relacionadas com a corrida, estão:
- Tendinopatia do Aquiles
- Síndrome medial da Tíbia (canelites)
- Síndrome patelo-femoral
- Fascite plantar
- Entorse da Tibiotársica (tornozelo)
Tendinopatia do Aquiles
Tendinopatia do Aquiles apresenta uma incidência de quase 11 %. Esta patologia tem várias denominações e graus de lesão. Pode começar com uma dor de baixa intensidade que pode avançar para uma dor mais forte em situações crónicas.
Quando atinge grau crónico, a sua evolução é lenta e pode levar até alguns meses até que o processo se considere estável. O processo fisiopatológico do tendão de Aquiles é relativamente complexo. As “curas” rápidas são muitas vezes pouco cautelosas, levando mais tarde a paragens de treinos/competição. A abordagem a uma lesão de Aquiles deve ser criteriosa e ajustada entre atleta e profissional de saúde.
Síndrome Medial da Tíbia (caneltite)
Apresenta uma incidência de 9,4%. Esta disfunção acontece de uma forma gradual. Inicia com uma dor na face interna da tíbia, essa mesma dor surge muitas vezes após o final do treino. Quando as queixas surgem com uma intensidade alta o processo por vezes já está numa fase em que o treino é contraindicado. O processo cirúrgico pode ser recomendado em fases avançadas da patologia.
Síndrome Patelofemural
Apresenta uma incidência na ordem dos 6,3%, sendo que no sexo feminino este valor é mais alto. Esta síndrome caracteriza-se por uma dor na face anterior do joelho, sendo por vezes acompanhada por um edema de ligeiro a moderado. Este tipo de lesão pode estar associado a uma má adaptação estrutural à corrida. Podem existir desequilíbrios em grupos musculares específicos e/ou também associado a uma má técnica de corrida.
Fascite Plantar
A Fascite Plantar apresenta uma percentagem de 6,1 %. É uma disfunção incapacitante que muitas vezes é o resultado de um problema numa outra estrutura do corpo. Caracteriza-se por uma dor na base do pé principalmente na posição ortostática. Esta condição quando crónica leva a um nível de incapacidade alta, tanto a nível desportivo como pessoal.
Entorse da Tibiotársica
A entorse da Tibiotársica apresenta uma incidência de 5,8 %. Das cinco lesões apresentadas é a única que ocorre por um mecanismo direto de lesão e não de sobrecarga. Esta disfunção musculoesquelética ocorre por vezes por fadiga e atraso na resposta proprioceptiva da articulação a uma alteração do piso/solo. Este tipo de lesão deverá ter sempre o acompanhamento de um profissional de saúde para que possa ajustar da melhor forma o retorno à atividade.
A prevenção é a chave do sucesso. Para que ela exista será necessário ao atleta, que procure o melhor aconselhamento acerca dos cuidados a ter em vários aspectos: clínico, treino, plano de prevenção (mobilidade, fortalecimento, etc…) e nutrição.
Partilhamos aqui exercícios, para fazeres em casa, para prevenir as 3 lesões com maior incidência e prevalência:
- Fascite Plantar
- Canelite
- Síndrome femoro-patelar (dor no joelho)
Exercícios para prevenir a fascite plantar
Mob TT
10 a 15 repetições
- Apoiar o pé todo no chão, sem nunca levantar o calcanhar
- Deslocar o joelho em direção a uma parede
Se quisermos aumentar um pouco a dificuldade, levar o pé um pouco mais atrás.
Mobilidade do dedo grande do pé
10 repetições
- Apoiar o dedo grande do pé, na vertical, contra uma parede ou um bastão
- Apoiar sempre o resto do pé no chão
- Deslizar o pé para trás, mantendo a extensão do dedo grande
Fortalecimento e coordenação
10 repetições
- Fazer o máximo de contração com o dedo grande do pé contra o chão
- Subir os outros 4 dedos mantendo o dedo grande contraído no chão
- Segurar durante 3 segundos
- Inverter o processo
Fortalecimento da arcada plantar I
10 repetições
- Com o pé no solo, empurrar o dedo grande do pé como se quiséssemos tocar no calcanhar
- Não levantar o calcanhar
Fortalecimento da arcada plantar II
Brincar com uma bola de ténis com a planta do pé.
Exercícios para prevenir a canelite
Fortalecimento face interna da tíbia I
10 repetições
- Colocar um elástico debaixo do dedo grande do pé, que fixa o elástico
- Perna contra lateral sai do solo
- Mão do lado oposto vai ao encontro do pé e volta a subir
Fortalecimento face interna da tíbia II
10 repetições para cada uma das pernas
- Colocar um elástico no pé
- Cruzar a perna e colocar elástico no antepé
- Subida rápida do pé
- Descida lenta
Fortalecimento face interna da tíbia III
10 repetições por perna
- Colocar um elástico debaixo do dedo grande do pé, que fixa o elástico
- Perna contra lateral sai do solo
- Agarrar no altere e transpor o peso do mesmo entre um braço e outro
Exercícios para prevenir o síndrome femoro-patelar (dor no joelho)
Walking Bridge
5 repetições
- Deitados de costas no chão, fletir os joelhos
- Levantar a bacia e manter em cima
- Fazer pequenos momentos de caminhada lenta até ficarmos assentes nos calcanhares
- Manter sempre os joelhos afastados
- Voltar
Fortalecimento da coxa
10 – 15 repetições
- Colocar o elástico nas duas pernas, por cima do joelho
- Levantar a perna esquerda, com o joelho fletido
- Rotação lateral com boa estabilização de pé e anca
Fortalecimento e coordenação de coxa, joelho e pé
caminhas entre 3 a 5 metros de distância, replicar 2 a 3 vezes
- Colocar numa posição de semiflexão com o joelho sempre dobrado
- Calcanhar cerca de 2 cm acima do chão
- Caminhar assim em movimentos lentos e mantendo a distâncias entre os joelhos
Nota importante: em todos os exercícios, não insistir nos exercícios se houver dor.
O nosso Mentor Ricardo Paulino é Fisioterapeuta Clinico e Desportivo e, para além de trabalhar diariamente com atletas de alto rendimento de atletismo, também presta serviços na Athletika, uma clinica médica e desportiva sediada em Linda a Velha.
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