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O caminho para a felicidade? Aprende a viver em equanimidade

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Depois de te falarmos das várias dimensões do Yoga, no nosso artigo “Yoga é equanimidade: a arte que te ensina a viver em paz com a alegria e o sofrimento”, sentimos que queríamos explorar mais o conceito de «viver em equanimidade». O termo, e sobretudo o seu significado, ressoou muito em nós. Neste artigo, vais ficar a saber como alcançar e manter este poderoso estado que equilibra o bom e o mau. Aguçámos-te a curiosidade? Lê tudo e começa a pôr estes ensinamentos em prática.

Um estudo assinado pelo neurocientista Richard Davidson identifica a felicidade como uma habilidade que se pode desenvolver a partir de quatro pilares: resiliência, olhar positivo, atenção plena e generosidade. Para o especialista, estas são as áreas mais relevantes, capazes de prolongar uma sensação de harmonia. Mas e quando a tristeza aparece? É nesse momento que entra em ação a equanimidade.

A equanimidade é um estado de equilíbrio emocional no qual se mantém uma atitude serena e imparcial diante de situações desagradáveis, agradáveis ou neutras. É uma qualidade mental que envolve a capacidade de enfrentar altos e baixos da vida sem se ser dominado por emoções intensas como raiva, ansiedade ou euforia excessiva.

Na prática, a equanimidade não significa indiferença ou apatia, mas sim a habilidade de observar os acontecimentos com clareza e aceitação, sem ser arrastado pelas emoções. Isso permite tomar decisões mais sábias e manter a paz interior, mesmo em momentos desafiadores.

Para sabermos mais sobre este assunto, o professor de yoga e meditação Luís Matias, que conheceste no artigo da DoBem, dá-nos a conhecer três nomes:

  • Mingyur Rinpoche, monge budista e um dos grandes professores de meditação atuais, diz que a equanimidade é uma qualidade fundamental da mente e é descrita como um equilíbrio interno que transcende o apego a sentimentos agradáveis e a aversão a sentimentos desagradáveis. A equanimidade permite observar os pensamentos e emoções sem nos identificarmos ou sermos dominados por eles — e permite que a mente encontre paz mesmo em circunstâncias adversas e seja menos influenciada por padrões emocionais habituais.
  • Thich Nhat Hanh, renomado mestre zen budista vietnamita, afirma que a equanimidade é uma forma profunda de aceitação e imparcialidade, onde observamos todas as coisas com clareza sem sermos dominados por preconceitos, preferências ou emoções intensas. Assim como a montanha permanece imóvel mesmo com ventos fortes, a equanimidade ajuda-nos a manter a paz interior diante de emoções intensas ou dificuldades externas. A equanimidade é o fundamento que permite praticar amor, compaixão e alegria de maneira genuína e imparcial.
  • Goenka, o conhecido mestre da meditação Vipassana, define a equanimidade como a capacidade de observar tudo o que acontece, interna e externamente, sem reagir com apego ou aversão. É um estado de aceitação serena, que vem da compreensão direta de que todas as sensações e experiências são transitórias.

Equanimidade no dia a dia

Então, como se aplica a equanimidade no dia a dia? Perguntámos ao Luís Matias como o fazia e ele contou-nos:

«Talvez a melhor forma de praticar e desenvolver a equanimidade seja aceitar uma das leis universais da Natureza que nos diz que tudo é impermanente. Nada é permanente, tudo é transitório. Desde as partículas mais pequenas no nosso corpo, às estrelas mais longínquas, tudo está em constante mudança. Tanto o sofrimento quanto o prazer são transitórios, e perceber isso ajuda a reduzir o apego e a aversão, que são as raízes do sofrimento. Todas as experiências são temporárias, as boas e as más.»

A equanimidade não é apenas uma prática emocional, mas também intelectual. Surge da perceção profunda da interdependência e da impermanência de todas as coisas. Essa compreensão dissolve a ilusão de separação entre nós e o outro, entre nós e tudo o que existe, e permite-nos lidar com a vida de maneira mais plena e serena.

Aceitar a realidade como ela é talvez seja a melhor forma de praticarmos ou desenvolvermos a equanimidade. Citando o conhecido poeta e pensador persa Rumi: «Tente não resistir às mudanças que chegam ao seu caminho. Em vez disso, deixe a vida fluir através de si. E não se preocupe: ela não deixará lugar nenhum vazio». No seu poema famoso A Casa de Hóspedes, Rumi convida-nos a receber tudo o que chega, seja tristeza, alegria ou raiva, como um visitante temporário enviado pelo Divino. Isso reflete a essência da equanimidade: aceitar a transitoriedade de todas as experiências com serenidade e abertura.

«Este ser humano é uma casa de hóspedes.
Cada manhã uma nova chegada:
Uma alegria, uma tristeza, uma mesquinhez,
Algum momento de consciência chega como um visitante inesperado.
Receba-os e acolha todos!»

Como se ensina a equanimidade?

A prática do yoga, da meditação e do mindfulness são algumas práticas contemplativas que nos ajudam a desenvolver a equanimidade porque, quando praticamos, aprendemos a tornarmo-nos observadores atentos e imparciais, simples testemunhas ou espectadores de tudo o que vai surgindo, sejam sensações, emoções ou pensamentos, sejam eles agradáveis, desagradáveis ou neutros. Observamos tudo o que nos surge sem avaliarmos ou julgarmos, sem nos identificarmos, sem nos envolvermos. Em vez de reações automáticas e impulsivas aos estímulos e situações que vamos recebendo, em vez de estarmos em modo “piloto automático”, as práticas contemplativas ensinam-nos a estarmos mais despertos, mais conscientes e a transcender o hábito de reagir impulsivamente, sem sermos escravizados por emoções ou desejos.

Tal como quando observamos uma nuvem no céu e ela vai acabar por se dissipar, também se observarmos as nossas sensações, emoções e pensamentos sem nos deixarmos envolver, sem deixarmos que eles se fixem, naturalmente eles também vão acabar por se dissipar, tornando a nossa mente mais clarividente.

«Fake until you make it» é uma expressão interessante no caso da equanimidade. Progressivamente, vamos conseguindo mantermo-nos equânimes e não desenvolver a reação primária e impulsiva.

E o mais importante: quando a equanimidade nos foge, como a recuperamos?

«Relembrando e refletindo constantemente que tudo é impermanente; mantendo uma qualquer prática contemplativa de forma consistente e contínua; e mantermo-nos despertos e conscientes para não nos acomodarmos ao registo de “piloto automático” e deixarmo-nos dominar pelas nossas sensações, emoções e pensamentos. No fundo: prática, prática e mais prática», resume o professor de yoga Luís Matias.

Depois de te falarmos das vári...

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