#MoveTheDate: como vamos contribuir para adiar o dia da sobrecarga do planeta?
Imagina que no dia 1 de janeiro tens a despensa repleta, com todos os recursos de que precisas para viver bem durante um ano inteiro, mas que a 2 de agosto esta já está vazia. Agora imagina que essa despensa era o nosso planeta e os seus recursos. É isso que acontece quando atinge a sua sobrecarga. Vamos perceber melhor do que estamos a falar e sobre o que podemos fazer para adiar esta data ao máximo. E vamos fazer parte do desafio #MoveTheDate!
É o que estamos a fazer enquanto Humanidade com os recursos (finitos) do Planeta – a “despensa” comum. Em 2023, a humanidade esgotou o orçamento da natureza para este ano a 2 de agosto, marcando o Dia da Sobrecarga da Terra (“Earth Overshoot Day”). Isso significa que, durante o resto do ano, estamos em défice ecológico, exaurindo as reservas de recursos e acumulando dióxido de carbono na atmosfera, ou seja, uma situação de “bancarrota planetária”.
Como é calculada esta data?
O Dia da Sobrecarga da Terra é calculado, de acordo com a Global Footprint Network, dividindo a biocapacidade do planeta (a quantidade de recursos ecológicos que a Terra é capaz de gerar naquele ano) pela Pegada Ecológica da humanidade (a procura da humanidade para esse ano), e multiplicando por 365, o número de dias num ano:
(Biocapacidade do Planeta / Pegada Ecológica da Humanidade) x 365 = Dia da Sobrecarga da Terra

Nas últimas décadas, a data de sobrecarga tem vindo a progredir, acontecendo cada vez mais cedo no calendário todos os anos.
Neste momento, o nosso estilo de vida, a forma como consumimos, exige 1,7 planetas. Estamos a viver como se houvesse outro planeta. E, spoiler, não existe planeta B.
Como podemos adiar esta data?
#MoveTheDate
Em primeiro lugar, é importante relembrar que o maior potencial para um impacto em grande escala reside nos governos e nas empresas, ao alinharem as suas políticas e estratégias com a realidade de um planeta finito.
A título individual, importa perguntar e refletir sobre como podemos assegurar vidas prósperas dentro dos limites do nosso planeta, como podemos investir na abundância e na segurança dos recursos globais e tornarmo-nos menos dependentes de recursos cada vez mais escassos.
Existem várias soluções, várias possibilidades, vários caminhos de impacto. A plataforma Earth Overshoot Day agrupou-as em cinco áreas principais, das quais destaco três:
- Alimentação
- Energia
- Planeta
Vou explicar.
ALIMENTAÇÃO
Como metade da biocapacidade da Terra é usada para nos alimentar, a comida é uma alavanca poderosa para #MoveTheDate. Então, o que podemos fazer?
- Reduzir o consumo de alimentos de origem animal – a produção de calorias animais é significativamente mais intensiva em recursos do que a produção de calorias vegetais. A agricultura atual é também intensiva no que diz respeito à dependência combustíveis fósseis. Se reduzirmos o consumo global de carne em 50% e substituirmos essas calorias por uma dieta vegetariana, adiaremos o Dia da Sobrecarga 17 dias.
- Reduzir o desperdício alimentar – de acordo com as Nações Unidas (num relatório de 2021), cerca de 931 milhões de toneladas de desperdício alimentar foram geradas em 2019, 61% das quais provenientes de agregados familiares, 26% de serviços alimentares e 13% do retalho. Isto sugere que 17% da produção global total de alimentos pode ser desperdiçada todos os anos. Se reduzirmos para metade o desperdício alimentar global per capita ao nível do retalho e do consumidor e as perdas de alimentos ao longo das cadeias de produção e de abastecimento, adiaremos o Dia da Sobrecarga da Terra em 13 dias.
Se a perda de alimentos e o desperdício alimentar fossem um país, este seria a terceira maior fonte de emissões de gases com efeito de estufa. O desperdício alimentar também sobrecarrega os sistemas de gestão de resíduos e amplia a insegurança alimentar, tornando-o um importante contribuinte para as três crises planetárias: a mudança climática, a perda da natureza e da biodiversidade e a poluição e resíduos.
Programa das Nações Unidas para o Ambiente (2021). Food Waste Index Report. 2021. Nairobi.
O que podemos fazer para reverter a realidade do desperdício alimentar?
No planeamento e nas compras
- Planear as refeições e realizar a respetiva lista de compras – incluindo quantidades para evitar excessos;
- Verificar primeiro o frigorífico e despensa, evitando comprar produtos já adquiridos;
- Considerar os alimentos que temos em casa e que precisam de ser utilizados em breve, planeando refeições em torno dos mesmos;
- Estabelecer uma periodicidade na ida às compras, optando preferencialmente por idas mais regulares para adquirir alimentos frescos;
- Evitar ir às compras no horário das refeições ou com fome, de modo a não serem adquiridos produtos alimentares por impulso e não necessários;
- Escolher fruta e produtos hortícolas imperfeitos, ainda em bom estado para consumo, evitando que sejam deitados fora.
Na preparação e confeção
- Utilizar utensílios adequados (ex: facas afiadas) e fazendo, quando possível, o aproveitamento integral dos alimentos;
- Conservar os alimentos de forma adequada garante que estes mantenham as suas características e se encontrem próprios para consumo até ao final da sua validade;
- Preparar alimentos perecíveis logo após a compra, poupando tempo e facilitando o seu consumo mais tarde;
- Congelar alimentos fruta que não vá consumir dentro de pouco tempo;
- Congelar refeições em porções individuais poderá ser também uma boa opção para evitar o desperdício de refeições confecionadas em maiores quantidades;
- Incluir nas confeções partes de alimentos que geralmente não são utilizadas, como os talos, folhas e sementes de alguns vegetais;
- Aproveitar a água de cozedura dos legumes para sopas e caldos;
- Não deitar fora as cascas de determinados hortícolas ou frutas (como cebola, limão e laranja), que possam ser aproveitadas para chá ou compotas.
No consumo
- Ajustar os tamanhos das porções de alimentos servidos, consoante as necessidades nutricionais e apetite de cada um;
- Começar por utilizar os hortícolas e as frutas mais maduras e só depois as mais verdes;
- Consumir primeiramente os alimentos cujo prazo de validade vence mais cedo;
- Em restaurantes, pedir apenas doses que conseguimos acabar, questionando se necessário os funcionários quanto ao tamanho das porções e considerando também possíveis entradas ou sobremesas que possamos consumir. Levar para casa as sobras;
- Em restaurantes buffet, não colocar no prato mais alimentos do que aqueles que somos capazes de consumir.
PROJETOS E LIVROS QUE TE AJUDAM A COMBATER O DESPERDÍCIO ALIMENTAR
- Too Good to Go: Aplicação que liga restaurantes, supermercados, superfícies comerciais ao consumidor e permite que seja vendido o excedente alimentar, reduzindo o desperdício e otimizando os recursos, sendo os produtos vendidos a preços mais baixos.
- Phenix: Aplicação onde são aproveitados os excedentes de restaurantes, pastelarias, mercearias e cafés, mas também lojas, como floristas. Pratica preços bastante mais reduzidos, com descontos até 50%.
- Olio: Nesta aplicação pode partilhar com vizinhos alimentos ou outros bens, em vez de os deitar fora.
- Refood: Recolhe excedentes alimentares e entrega-os a famílias carenciadas.
- Fruta Feia: Aproveita fruta e vegetais que seriam desperdiçados por razões estéticas.
- GoodAfter: Supermercado online dedicado à venda de produtos perto do fim do prazo de consumo preferencial.
- Equal Food: Comercializa excedentes agrícolas em perfeitas condições de consumo.
- Livro Desperdício Zero à Mesa com o Pingo Doce
- Livro Saudável e Sem Desperdício, Sara Oliveira
- Livro Da Raiz à Rama, Sofia Magalhães
ENERGIA
Reduzir a condução e deslocação em veículos movidos a combustíveis fósseis; sempre que possível, usar transportes públicos, usar sistema de boleias ou carros partilhados, ir de bicicleta ou a pé.
PLANETA
A qualidade de vida da humanidade – e a sua sobrevivência – depende da saúde dos recursos biológicos do nosso planeta, do capital natural.
O que podemos fazer para que ecossistemas naturais como os oceanos e as florestas, que são indispensáveis para manter o nosso planeta habitável, continuem a desempenhar o seu papel de regulação do clima e a absorver as emissões de carbono?
Apoiar projetos que contribuem para a conservação da biodiversidade e regeneração dos ecossistemas (WWF; Ocean’s Alive; Verde; Reflorestar).
Privilegiar e incentivar modos de produção agrícola não intensivos, que nos permitam continuar a alimentar uma população crescente (9,7 mil milhões de pessoas em 2050, estimativa das Nações Unidas), promovendo formas de agricultura que mantenham a produtividade do solo, os níveis das águas subterrâneas, os ciclos da água, evitando ao mesmo tempo a contaminação.
Votar no Planeta nas eleições, pressionar governos, decisores políticos, empresas, exigir mudança e responsabilidade; denunciar situações que coloquem em causa e destruam o capital natural.
INSPIRAÇÃO E ATIVISMO
Seis jovens portugueses, Cláudia Agostinho, Martim Agostinho, Mariana Agostinho, Catarina Mota, Sofia Oliveira e André Oliveira, acusam 32 países de inação climática, depois dos incêndios devastadores de 2017, em Pedrógão Grande e Mação. O processo foi submetido em setembro de 2020, para que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos reconheça que alguns dos direitos previstos na Carta Europeia dos Direitos Humanos estão a ser violados por ineficiência do Estado em matéria de ação climática.
A par da dimensão intergeracional, patente neste último exemplo dos jovens que lutam por algo que deveria estar assegurado naturalmente pela geração anterior, gerir os recursos da Terra de forma responsável é também uma questão de justiça social e um imperativo moral: a parte mais pobre da população mundial – cerca de 3,5 mil milhões de pessoas – é responsável por apenas cerca de 10% do total das emissões globais atribuídas ao consumo individual, predominantemente nos países mais vulneráveis às alterações climáticas; enquanto cerca de 50% destas emissões podem ser atribuídas a 10% das pessoas mais ricas em todo o mundo, com uma pegada média de carbono 11 vezes maior que a metade mais pobre da população, e 60 vezes superior à dos 10% mais pobres (Oxfam, Extreme Carbon Inequality, Media Briefing 2015). Ou seja, os mais vulneráveis e os mais pobres são vítimas de uma destruição que não controlam nem provocaram, bem pelo contrário.
Não se trata (apenas) de reduzir a pegada ecológica global, mas de alterar a forma como, enquanto sociedade, extraímos e consumimos e descartamos em excesso, inaugurando práticas mais eficientes de gestão dos recursos (finitos) do Planeta, preservando e regenerando o capital natural.

Junta-te ao movimento partilha connosco quais os gestos que te fazem mais sentido ou os projetos que apoias e que estão a contribuir para #movethedate.
Fonte: https://www.overshootday.org/
Para ver este conteúdo, TORNA-TE UM MEMBRO DOBEM.
Há muita informação, mas pouco foco no que realmente importa para o teu bem-estar.
Na DoBem, ajudamos-te a filtrar o essencial e a tomar decisões conscientes para uma vida mais saudável e equilibrada. Só conseguimos fazer este trabalho com o apoio de pessoas como tu.
Ao subscreveres, tens acesso a conteúdos exclusivos, dicas práticas e uma comunidade que te inspira a viver melhor, todos os dias.
SELECCIONA UM PLANO:
Mais Baixo
- Acesso ilimitado a todos os conteúdos
- Live mensal exclusiva
- Vídeos exclusivos
- Perguntas directas aos mentores DoBem
- Descontos exclusivos nos parceiros
- Newsletter mensal exclusiva da Isabel
Pague com Cartão de Débito ou Crédito
Recebe uma newsletter DoBem todas
as semanas. Sem SPAM, só conteúdos
com a nossa curadoria.